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Domingo, 27 de Setembro de 2026 21:49

Fim da escala 6×1 pode pressionar empresas a rever custos, equipes e operação

A possibilidade de redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 já começa a levar empresas a reavaliar custos, equipes e modelos de operação. Uma pesquisa realizada pela Carreira Muller com 486 companhias aponta que 90,13% esperam ser impactadas pela PEC 221/2019, enquanto 72,43% afirmam ter atualmente funcionários trabalhando nesse regime.

Para a maioria das empresas, uma eventual mudança na jornada teria efeitos significativos sobre os negócios. O impacto é considerado alto por 49,09% das companhias e muito alto por 23,74%. Somados, os dois grupos representam 72,83% das empresas pesquisadas.

Aumento dos custos é principal preocupação

A principal preocupação está relacionada ao impacto financeiro. O aumento dos custos trabalhistas é apontado por 82,96% das empresas. Em seguida aparece a necessidade de adequar escalas e turnos, citada por 77,63%.

Outros possíveis efeitos também preocupam o setor empresarial. A dificuldade para manter o nível operacional é mencionada por 44,75% das companhias, enquanto 38,36% temem uma queda de produtividade. Já 33,30% avaliam que poderão precisar contratar novos funcionários.

Entre os setores mais expostos estão operações e produção, apontados por 72,37% das empresas. Na sequência aparecem logística, com 36,99%; atendimento ao cliente, com 24,43%; manutenção, com 22,90%; e áreas administrativas e financeiras, com 22,60%.

PEC prevê redução da jornada

A PEC 221/2019 prevê a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanaais, além de estabelecer dois dias de repouso remunerado.

O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 2 de setembro e está pronto para ser analisado pelo plenário da Casa.

Empresas ainda estão pouco preparadas

Apesar da expectativa de mudanças, poucas empresas se consideram totalmente preparadas para uma eventual alteração na legislação. Em uma escala de 1 a 5, apenas 3,42% deram nota máxima ao próprio nível de preparação.

Metade das companhias, equivalente a 50,23%, está no nível intermediário, enquanto 25,11% se classificam nos níveis 1 ou 2. Na prática, aproximadamente três em cada quatro empresas estão, no máximo, em um estágio intermediário de preparação.

O cenário também se reflete nos prazos para adaptação. 43,84% ainda não sabem quando começariam a implementar mudanças. Outros 28,77% afirmam que agiriam imediatamente após uma eventual aprovação da PEC, enquanto 18,64% estimam iniciar a adaptação em até três meses.

Pequenas e médias empresas enfrentam maior desafio

Segundo a Carreira Muller, a mudança pode representar um desafio especialmente grande para pequenas e médias empresas, que nem sempre contam com estruturas de Recursos Humanos preparadas para redesenhar jornadas e equipes em curto espaço de tempo.

“Temos recebido contatos diariamente de muitas pequenas e médias empresas de todo o país porque elas não tinham uma estrutura de RH planejada para uma mudança dessa magnitude. Com a possibilidade de aprovação da PEC, essas empresas terão de se planejar em ritmo acelerado, avaliando escalas, equipes, custos e produtividade para conseguir manter a operação”, afirma Marco Schanoski, CEO da Carreira Muller.

Empresas avaliam reorganização das equipes

Antes de ampliar o quadro de funcionários, parte das empresas pretende reorganizar a força de trabalho já existente. A revisão dos turnos para otimizar a jornada é a alternativa mais citada, por 37,67% das entrevistadas.

A contratação de novos funcionários aparece logo depois, com 35,16%. Já mudanças mais estruturais ainda não são predominantes: 47,72% afirmam não planejar nenhuma ação específica para compensar uma eventual redução da jornada.

Entre as companhias que estudam alternativas, 32,88% consideram redesenhar processos, enquanto 32,65% avaliam investir em automação e em medidas para elevar a produtividade.

O estudo estima ainda um impacto potencial de 10% sobre os custos de pessoal de empresas prestadoras de serviços terceirizados, cenário que pode pressionar contratos firmados antes de uma eventual mudança na legislação.

RH e assessoria jurídica ganham espaço

Em 56,62% das empresas, o setor de Recursos Humanos já lidera as discussões sobre uma possível adaptação à PEC.

A negociação coletiva, porém, ainda está em estágio inicial. Segundo o levantamento, 55,02% não iniciaram conversas com sindicatos, embora estejam avaliando o tema. Apenas 3,65% afirmam já ter iniciado negociações.

A expectativa de mudanças também aumenta a procura por suporte especializado. A assessoria jurídica trabalhista é apontada por 50,91% das empresas como uma das áreas das quais pretendem buscar apoio.

Na sequência aparecem redesenho de processos e planejamento, com 37,44%, e benchmarking de mercado, citado por 35,62%.

Os números mostram que, mesmo antes de uma eventual mudança definitiva na legislação, empresas de diferentes setores já começam a avaliar os impactos da redução da jornada, especialmente sobre custos, escalas, produtividade e necessidade de mão de obra.

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